O protetor solar. Aquele tubo aparentemente simples que reside em nossas bolsas de praia, necessaires e até mesmo em nossas mesas de trabalho. Ele é constantemente promovido como a pedra angular de uma rotina de cuidados com a pele saudável e um escudo essencial contra os danos causados pelo sol. No entanto, apesar de sua onipresença e da vasta quantidade de informações disponíveis, o protetor solar ainda está envolto em uma névoa de equívocos, meias-verdades e até mesmo mitos descarados.
Este artigo tem como objetivo desmistificar as crenças populares sobre o protetor solar, separar os fatos da ficção e fornecer a você, leitor, um guia abrangente e baseado em evidências para tomar decisões informadas sobre a proteção solar. Baseando-me exclusivamente em pesquisas e literatura científica em inglês, exploraremos os mitos mais comuns e as verdades cruciais que cercam este produto vital.
Mito 1: Pessoas com pele escura não precisam usar protetor solar.
Esta é talvez uma das crenças mais perigosas e difundidas. Embora seja verdade que a pele mais escura contém mais melanina, o pigmento que oferece alguma proteção natural contra os raios UV, ela não é imune aos danos solares.
Verdade: A melanina oferece um fator de proteção solar (FPS) natural que varia de aproximadamente 1,5 a 13,4, dependendo do tom da pele. No entanto, essa proteção não é suficiente para prevenir os danos causados pela exposição prolongada ao sol. Indivíduos com pele escura ainda podem sofrer queimaduras solares (embora possam não ficar tão vermelhos quanto pessoas com pele clara), envelhecimento precoce da pele, hiperpigmentação (manchas escuras) e, o mais importante, câncer de pele.
Estudos demonstram que, embora a incidência de melanoma (o tipo mais mortal de câncer de pele) seja menor em pessoas com pele escura, ele tende a ser diagnosticado em estágios mais avançados, o que leva a piores resultados. Além disso, outros tipos de câncer de pele, como o carcinoma de células escamosas, são mais comuns em indivíduos com pele escura.
A exposição solar também pode exacerbar condições de pele comuns em pessoas com tons de pele mais escuros, como o melasma e a hiperpigmentação pós-inflamatória. Portanto, o uso diário de um protetor solar de amplo espectro com um FPS de pelo menos 30 é crucial para todos os tipos de pele, independentemente da cor.
Mito 2: Se o dia estiver nublado, não preciso usar protetor solar.
Muitas pessoas acreditam que as nuvens oferecem proteção suficiente contra a radiação ultravioleta (UV) do sol. Isso está longe de ser verdade.
Verdade: As nuvens podem bloquear parte da radiação visível e da sensação de calor do sol, mas elas não bloqueiam significativamente os raios UV. Na verdade, até 80% da radiação UV pode penetrar nas nuvens. Mesmo em dias nublados, você ainda está exposto a níveis prejudiciais de raios UVA e UVB.
Os raios UVA, em particular, são capazes de penetrar profundamente na pele e são os principais responsáveis pelo envelhecimento precoce, como rugas e manchas. Eles também contribuem para o desenvolvimento do câncer de pele. Os raios UVB são a principal causa das queimaduras solares e também desempenham um papel no câncer de pele. Portanto, a proteção solar é essencial mesmo em dias nublados, chuvosos ou com neblina.
Mito 3: Uma camada fina de protetor solar é suficiente.
Aplicar uma pequena quantidade de protetor solar pode dar uma falsa sensação de segurança. No entanto, a quantidade utilizada é crucial para atingir o FPS indicado na embalagem.
Verdade: A maioria das pessoas aplica apenas 25% a 50% da quantidade recomendada de protetor solar. Para obter a proteção total indicada no rótulo, a quantidade recomendada para cobrir o corpo de um adulto médio é de aproximadamente uma onça fluida (o equivalente a um copo de shot cheio). Para o rosto, a quantidade ideal é cerca de uma colher de chá.
Aplicar uma camada fina demais de protetor solar reduz significativamente o FPS real que sua pele recebe. Por exemplo, um protetor solar com FPS 30 aplicado em quantidade insuficiente pode fornecer apenas um FPS de 10 ou menos. Certifique-se de aplicar uma camada generosa e uniforme em todas as áreas da pele expostas ao sol, incluindo orelhas, pescoço, dorso das mãos e pés.
Mito 4: Protetor solar com FPS alto oferece proteção significativamente maior do que um FPS mais baixo.
Embora um FPS mais alto ofereça mais proteção contra os raios UVB (a principal causa de queimaduras solares), a diferença na proteção aumenta de forma não linear.
Verdade: Um protetor solar com FPS 30 bloqueia cerca de 97% dos raios UVB, enquanto um FPS 50 bloqueia cerca de 98%. Um FPS 100 bloqueia cerca de 99%. Embora haja um aumento na proteção, a diferença entre FPS 30 e FPS 50 é relativamente pequena.
O mais importante não é apenas o número do FPS, mas sim a aplicação correta e regular do protetor solar. Muitas pessoas que usam protetores solares com FPS alto tendem a aplicá-los com menos frequência ou em menor quantidade, pensando que estão totalmente protegidas. É crucial reaplicar o protetor solar a cada duas horas, ou imediatamente após nadar ou suar, independentemente do FPS. Além disso, certifique-se de que o protetor solar ofereça proteção de amplo espectro, o que significa que ele protege contra os raios UVA e UVB. 1
Mito 5: Protetor solar impede a produção de vitamina D.
A vitamina D é essencial para a saúde óssea e desempenha outros papéis importantes no organismo. A preocupação de que o uso de protetor solar possa levar à deficiência de vitamina D é comum.
Verdade: Os raios UVB são necessários para que a pele produza vitamina D. Teoricamente, o uso rigoroso de protetor solar pode reduzir a produção de vitamina D. No entanto, na prática, a maioria das pessoas não aplica protetor solar de forma tão consistente ou em quantidades suficientes para bloquear completamente a produção de vitamina D.
Além disso, mesmo com o uso de protetor solar, alguma radiação UVB ainda atinge a pele. Estudos mostram que o uso regular de protetor solar não leva consistentemente à deficiência de vitamina D em indivíduos saudáveis.
A principal fonte de vitamina D para a maioria das pessoas é a exposição solar, mas ela também pode ser obtida através da dieta (peixes gordurosos, ovos, cogumelos fortificados) e de suplementos. Se você está preocupado com seus níveis de vitamina D, consulte seu médico para verificar seus níveis e discutir as melhores formas de garantir uma ingestão adequada, que podem incluir suplementação, em vez de abandonar a proteção solar. Os riscos do câncer de pele superam em muito o risco de uma deficiência de vitamina D facilmente corrigível.
Mito 6: Protetores solares químicos são perigosos e devem ser evitados.
Existe uma preocupação crescente em relação aos ingredientes químicos presentes em alguns protetores solares e seus potenciais efeitos na saúde.
Verdade: Os protetores solares químicos funcionam absorvendo a radiação UV e convertendo-a em calor, que é liberado pela pele. Alguns ingredientes químicos, como a oxibenzona e o octinoxato, foram objeto de estudos que levantaram preocupações sobre sua potencial absorção pela pele e seus efeitos hormonais ou ambientais. No entanto, a maioria das agências regulatórias de saúde em todo o mundo, incluindo a Food and Drug Administration (FDA) nos Estados Unidos, considera esses ingredientes seguros para uso nas concentrações permitidas.
É importante notar que a pesquisa sobre os potenciais efeitos a longo prazo desses ingredientes ainda está em andamento. Se você está preocupado com os protetores solares químicos, existem alternativas eficazes disponíveis.
Os protetores solares minerais, que contêm óxido de zinco e dióxido de titânio, funcionam criando uma barreira física na pele que reflete e dispersa a radiação UV. Eles são geralmente considerados seguros e bem tolerados, mesmo por pessoas com pele sensível.
Ao escolher um protetor solar, procure por opções de amplo espectro com um FPS de pelo menos 30 e escolha a formulação (química ou mineral) que melhor se adapta às suas necessidades e preferências. A proteção solar consistente é o fator mais importante para prevenir danos à pele e câncer de pele.
Mito 7: Maquiagem com FPS é suficiente para proteger a pele.
Muitos produtos de maquiagem, como bases e pós, contêm FPS. Embora isso possa oferecer alguma proteção, geralmente não é suficiente.
Verdade: Para obter a proteção solar indicada em um produto de maquiagem, você precisaria aplicar uma quantidade muito maior do que normalmente usaria. A maioria das pessoas aplica apenas uma pequena fração da quantidade de maquiagem necessária para atingir o FPS rotulado.
Além disso, a maquiagem geralmente não oferece proteção de amplo espectro e pode não ser reaplicada ao longo do dia. A melhor abordagem é aplicar um protetor solar específico de amplo espectro com FPS 30 ou superior antes da maquiagem. Deixe o protetor solar absorver completamente antes de aplicar outros produtos. Você pode complementar a proteção com maquiagem que contenha FPS, mas não dependa apenas dela para uma proteção solar eficaz.
Mito 8: Protetor solar é necessário apenas no verão ou em dias de sol forte.
Controle da oleosidade, Não irrita os olhos: testado oftalmologicamente., Wet Skin: Pode ser aplicado sobre a pele molhada.
A exposição solar prejudicial ocorre durante todo o ano, independentemente da estação ou das condições climáticas.
Verdade: Os raios UV estão presentes durante todo o ano, mesmo no inverno e em dias nublados. A neve e o gelo podem até refletir a radiação UV, aumentando sua exposição. Além disso, os raios UVA, que contribuem para o envelhecimento precoce e o câncer de pele, podem penetrar nas janelas.
Incorporar o protetor solar em sua rotina diária de cuidados com a pele, assim como escovar os dentes, é a melhor maneira de garantir uma proteção consistente contra os danos solares.
Mito 9: Depois de aplicar o protetor solar, estou protegido o dia todo.
A eficácia do protetor solar diminui com o tempo devido à exposição ao sol, suor e atrito.
Verdade: O protetor solar não é uma aplicação única para o dia todo. Para manter a proteção eficaz, é crucial reaplicá-lo regularmente. A recomendação geral é reaplicar o protetor solar a cada duas horas, ou imediatamente após nadar ou suar.
Se você estiver passando um longo período ao ar livre, configure um alarme para lembrá-lo de reaplicar o protetor solar. Ter um protetor solar em bastão ou em spray pode facilitar a reaplicação ao longo do dia, especialmente sobre a maquiagem.
Mito 10: Protetor solar causa acne.
Algumas pessoas evitam o protetor solar por medo de que ele obstrua os poros e cause acne.
Verdade: Embora alguns protetores solares mais antigos com formulações pesadas e oleosas pudessem contribuir para a acne, existem muitas opções disponíveis hoje em dia que são não comedogênicas (não obstruem os poros) e adequadas para peles oleosas e com tendência à acne.
Procure por protetores solares rotulados como “oil-free” ou “non-comedogenic”. Formulações em gel, loção leve ou spray tendem a ser menos propensas a causar erupções. Protetores solares minerais também são geralmente bem tolerados por peles sensíveis e com acne. A proteção solar é essencial mesmo para quem tem acne, pois alguns tratamentos para acne podem tornar a pele mais sensível ao sol.
Conclusão:
Navegar pelo mundo da proteção solar pode parecer confuso diante da quantidade de informações conflitantes e mitos persistentes. No entanto, entender as verdades por trás dessas crenças é fundamental para proteger sua pele dos danos causados pelo sol e reduzir o risco de câncer de pele e envelhecimento precoce.
Lembre-se de que o uso diário de um protetor solar de amplo espectro com FPS 30 ou superior é um passo essencial em qualquer rotina de cuidados com a pele saudável, independentemente do seu tom de pele, do clima ou da estação do ano. Aplique uma quantidade generosa, reaplique regularmente e procure por formulações adequadas ao seu tipo de pele. Ao separar os mitos das verdades, você estará capacitando-se a tomar decisões informadas e a proteger sua pele para uma vida toda.
Referências:
- American Academy of Dermatology Association. Sunscreen FAQs.
- The Skin Cancer Foundation. Sunscreen. Retrieved from
- Food and Drug Administration (FDA). Sunscreen: How to Help Protect Your Skin from the Sun. Retrieved from
- World Health Organization (WHO). Ultraviolet radiation and health.
- Journal of the American Academy of Dermatology.
- British Journal of Dermatology.
- Photodermatology, Photoimmunology & Photomedicine.
- National Institutes of Health (NIH).
Protetor solar facial de uso diário com FPS 60 ; Textura ultraleve à base de água, de absorção imediata e controle da oleosidade da pele sem deixar resíduos ; Não irrita os olhos: testado oftalmologicamente ; Wet Skin: Pode ser aplicado sobre a pele molhada ; Sea Friendly: fórmula composta principalmente por ingredientes biodegradáveis e/ou inorgânicos
